Bahia é quinto estado que mais perdeu leitos de internação do SUS nos últimos oito anos

Bahia é quinto estado que mais perdeu leitos de internação do SUS nos últimos oito anos
Foto: reprodução

por Renata Farias / Bahia Notícias, 

Mais de 1,9 mil leitos de internação da rede pública foram desativados na Bahia nos últimos oito anos. O estado ocupa o quinto lugar em levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a partir de dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Ministério da Saúde.  Em maio de 2010, a Bahia tinha 25,1 mil leitos para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). O número caiu para 23,2 mil em 2018. O estado apresenta dados melhores que Rio de Janeiro (9,5 mil leitos fechados), São Paulo (7,3 mil), Minas Gerais (4,2 mil) e Goiás (1,9 mil).  Entre as capitais, Salvador ocupa posição de destaque positivo. Com um pequeno acréscimo de 314 no período analisado, é a quarta capital em aumento de leitos: 5,2 mil em 2010, contra 5,5 mil em 2018. Apenas Recife (534), Porto Velho (354) e Cuiabá (346) tiveram maior incremento. De acordo com o levantamento, 22 estados e 18 capitais brasileiras perderam leitos nos últimos oito anos. "Assim como no Brasil, o Reino Unido e o Canadá, que também possuem sistemas universais de saúde, fecharam leitos ao longo das últimas décadas. É preciso destacar, no entanto, que, diferentemente destes países, as políticas de prevenção e promoção à saúde no Brasil não conta com um financiamento adequado", afirmou em nota o presidente do CFM, Carlos Vital. Outra constatação é que, enquanto a rede pública teve 10% dos leitos fechados desde 2010 (34,2 mil), as redes suplementar e particular aumentaram em 9% (12 mil) o número de unidades no mesmo período. Na Bahia, o acréscimo foi de 1,4 mil leitos, enquanto Salvador registrou aumento de 672. De acordo com o relatório de Estatísticas de Saúde Mundiais da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014 – quando foi apresentado o último dado disponível sobre leitos hospitalares –, o Brasil possuía 23 leitos hospitalares (públicos e privados) para cada grupo de dez mil habitantes. A taxa era equivalente à média das Américas, mas inferior à média mundial (27) ou às taxas apuradas, por exemplo, no Reino Unido (29), Argentina (47), Espanha (31) ou França (64). O CFM pretende encaminhar o levantamento ao Congresso Nacional, Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Contas da União (TCU).